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Não Consigo Ficar Sozinha: Entrevista com Dra. Estela Noronha - Psicóloga Estela Noronha | Avenida Paulista - SP

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Não Consigo Ficar Sozinha: Entrevista com Dra. Estela Noronha

Medo da Solidão: porque algumas mulheres não conseguem ficar sozinhas e acabam emendando um relacionamento no outro?


Entrevista sobre dependência emocional e comportamento feminino, concedida pela psicóloga mestre Estela Noronha à jornalista Júlia Couto, do portal AreaM.

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1) O que significa o fato de a mulher não conseguir ficar sozinha, precisando sempre ter alguém do lado?

Dra. Estela Noronha: Pode significar alguns fatores. Pode estar, por exemplo, sinalizando que ela perdeu o sentido de sua vida. Ou mesmo, que ela nunca o descobriu. E esse processo de não se descobrir leva em conta, inclusive, a educação e o sistema no qual ela foi criada. Essa mulher pode estar se sentindo depressiva e fragilizada por algum motivo e, portanto, dependente emocionalmente. Algumas pessoas só se sentem inteiras e completas ao lado de alguém, como se o parceiro fosse o único responsável pela sua felicidade — o que não é verdade. Afinal, estar com um companheiro é "estar com" e não "estar para". O outro deve ser um companheiro de jornada, e não o realizador da vida dessa mulher.

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2) É comum encontrar mulheres que sofrem por estarem sozinhas?

Dra. Estela Noronha: Sim, é comum. Especialmente para aquelas mulheres que não possuem uma vida própria e que construíram sua rotina e identidade exclusivamente em função do companheiro.

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4) Qual a melhor forma de terapia para a mulher que não consegue ficar sozinha?

Dra. Estela Noronha: Com um trabalho focado na recuperação da autoestima e do autoconhecimento. A mulher nunca deve esquecer que ela também é um indivíduo na relação a dois, com anseios e prioridades próprias. Ela pode e deve se doar para a relação, mas nunca se esquecer de si mesma. Portanto, a melhor forma de tratar-se é reconectando-se consigo mesma, o que é feito de forma maravilhosa através da psicanálise, procurando sua satisfação e redescobrindo as coisas que lhe dão real sentido na vida.

5) Isso é mais comum entre as mulheres?

Dra. Estela Noronha: Dessa forma, sim. Mas a versão masculina dessa dependência acontece quando o homem busca na sua companheira um ideal de mulher parecido com sua mãe. São aqueles sujeitos que esperam que sua companheira cuide deles como a sua mãe cuidaria. Ou seja, não estão em busca de uma mulher na relação, mas de uma "mãe mais nova", cuidadora e provedora.

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6) Ainda existe a cultura de que "nada melhor que um novo amor para esquecer o antigo"? Isso realmente funciona?

Dra. Estela Noronha: Existe sim, e às vezes funciona. Tenho exemplos de situações como essa em meus consultórios. Então esta é a fórmula correta ou a fórmula mágica?

Não, não é. Na teoria, deveríamos elaborar emocionalmente a perda do parceiro amoroso para não cometermos os mesmos erros ou fazermos do próximo parceiro o "limão amargo" de nossas vidas. Ou ainda, para entrarmos mais inteiros e aptos para a relação seguinte. Mas isso é apenas teoria, que serve a priori, apenas como um norte. Na vida amorosa, vale muito mais a intuição, a oportunidade de estar na hora e no lugar certo, o arriscar-se, do que a racionalização mental do que é certo e errado. Relacionar-se é uma aventura. Uma ótima aventura.


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