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Tratamento de Distimia: Depressão Crônica e Mau Humor - Psicóloga Estela Noronha | Avenida Paulista - SP

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Tratamento de Distimia: Depressão Crônica e Mau Humor

Distimia: depressão crônica confundida com mau humor ou "tolerância zero"


Quem não conhece ou já conviveu com uma pessoa cujo humor era cronicamente irritável e irônico, excessivamente crítico, pontuado por crises de raiva e pouca paciência? Pior: o sujeito que está ao seu lado, além desses predicativos, é um pessimista nato e não tem senso de humor. Não está triste, mas também nunca aparenta estar bem, feliz ou satisfeito. Não gosta muito de se sociabilizar, está sempre no seu canto, com aquela cara de "azedo".

O que popularmente conhecemos como "tolerância zero" — muitas vezes levado ao humor pelas sátiras de TV — é, na verdade, um quadro clínico sério


A pessoa distímica não é "mal-humorada" por opção; ela está em um estado de depressão persistente que altera sua percepção do mundo. O que muitos veem apenas como um traço de personalidade difícil é, na verdade, um pedido silencioso de ajuda de alguém que não consegue mais "ser" de outra forma sem o suporte adequado.

Não pense que isso faz parte apenas de um traço de personalidade, hereditariedade passional do "sangue latino", ou que é uma consequência de criação "das antigas". Ou ainda, que você deu o azar de casar-se com a pessoa mais chata do mundo. Muito menos que a pessoa é assim porque é chefe. Para muitos, todo chefe, por definição, é estressado, crítico e mal-humorado. Ok, essas possibilidades existem e acontecem. O assédio moral é cada vez mais debatido nas corporações e na Justiça justamente porque ele é desencadeante de graves consequências emocionais, morais e financeiras.

Saiba que mau humor e irritabilidade persistentes podem ser características de uma doença comum chamada Distimia.


Esta doença acomete inúmeros indivíduos, num grau muito maior do que as pessoas supõem. Segundo G. J. Ballone, a Distimia, por conceito, é uma depressão crônica que ocorre na maior parte do dia, na maioria dos dias e por, no mínimo, 2 anos. É considerada de baixa intensidade, flutuante, porém duradoura e persistente. A sintomatologia, na maioria dos casos, é semelhante ao Episódio ou Transtorno Depressivo Maior Recorrente, como: desânimo, angústia, ansiedade, desinteresse e apatia, tendência à tristeza, memória prejudicada, dificuldade no relacionamento (autoestima) e na adaptação ambiental, insônia e choro fácil. Porém, ela não é tão grave ou intensa quanto a depressão comum.
O texto destaca que o Transtorno Distímico é marcado por um humor deprimido crônico, onde o paciente relata falta de alegria e uma vida difícil de suportar, em vez de apenas tristeza. Há uma tendência à ruminação de mágoas e frustrações, enquanto momentos felizes são passageiros.

Socialmente, essa condição pode fazer com que o indivíduo seja percebido como alguém amargo, isolado, ou um "rabugento" de "tolerância zero", gerando facilmente antipatia. No entanto, o texto enfatiza que essa postura esconde um sofrimento psíquico prolongado e insidioso, muitas vezes enraizado desde a infância ou adolescência.
A cronificação dos sintomas certamente influencia no desenvolvimento de um comportamento e uma concepção existencial deturpada pelo mau humor crônico e tristeza, inclusive de si, pois se veem como desinteressantes ou incapazes. Às vezes possuem consciência que são maçantes e sofrem por isso, no entanto, não sabem ser diferentes. Faltam-lhes ferramentas psíquicas e emocionais adequadas para modificar o comportamento, o que os leva, ainda mais, ao isolamento social.
A pessoa que sofre de depressão crônica consegue trabalhar justamente porque ela é de baixa intensidade, apesar de persistente e duradoura. Em geral, é rígida e resistente quanto às sugestões de terapia, por achar que na verdade "esse é seu jeito de ser, coisa de personalidade ou criação".

Dados interessantes para esclarecer sobre a Distimia


  • É mais frequente em mulheres do que nos homens.
  • Em crianças, nas quais os fenômenos depressivos se apresentam de forma atípica, o Transtorno Distímico pode estar associado com Transtorno de Déficit de Atenção por Hiperatividade (TDAH).
  • O Transtorno Distímico é mais comum entre os parentes biológicos em primeiro grau de pessoas com Transtorno Depressivo Maior do que na população geral.
  • Tem um curso crônico, insidioso e precoce, iniciando-se comumente na infância, adolescência ou início da idade adulta.
  • As pessoas com Transtorno Distímico em geral têm uma probabilidade maior para desenvolver um Transtorno Depressivo Maior sobreposto à Distimia.

Tratamento psicoterapêutico


Os antidepressivos são eficazes no tratamento da Distimia a curto prazo. Mas, sem a psicoterapia, o comportamento e a forma de pensar não mudam. Ela é de fundamental importância no tratamento do distímico.
Os objetivos principais dela são fazer o paciente reconhecer as circunstâncias que o levaram à depressão (psicoterapia profunda) e estruturar uma resposta emocional adequada e não patogênica. Saber reconhecer e nomear ações positivas, em detrimento das negativas, aumenta a probabilidade de ocorrência de respostas novas e funcionais.
Em outras palavras: combatem-se os comportamentos-problema ao mesmo tempo que se busca instalar e aumentar a frequência de comportamentos adequados ao contexto, que sejam desejáveis, funcionais e geradores de satisfação.

Fonte para informação e consulta: Ballone, GJ - Distimia, in. PsiqWeb, Psiquiatria Geral, 2011.

A Distimia é uma forma de depressão persistente. Se você quer entender de forma mais ampla como esse transtorno afeta a mente e o corpo, acesse o nosso guia completo sobre Tratamento para Depressão na Paulista."
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