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Discutir a Relação? - Psicóloga Estela Noronha | Avenida Paulista - SP

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Discutir a Relação?

Discutir a Relação sem Desgaste: Como Resolver Conflitos de Forma Prática


Nem todo embate conjugal exige uma longa conversa. Descubra como pequenas mudanças de atitude e a orientação psicológica certa podem blindar o seu casamento.
Cosmopolitan

Qual é a importância das chamadas “DRs” (discussões de relacionamento) na relação a dois?


Estela: Todo “contrato caduca”. Torna-se desatualizado, antiquado, insuficiente e, portanto, não supre as demandas futuras. Ele precisa ser renovado com base nas necessidades vigentes.
Um relacionamento é um contrato — formal ou não — entre duas pessoas que resolveram compartilhar a sua vida, ou parte dela, com alguém.

As famosas “DRs” são os ajustes deste contrato ao longo do tempo, e são importantes para referendar qualquer relacionamento. Aquilo que não é dito ou comunicado, e faz parte dos valores fundantes da relação, pode vir a ter contornos desproporcionais.

Conversar é essencial, inclusive para dar o devido tamanho às situações presentes. Caso contrário, tudo poderá ser motivo para discussão.

Mas é correto afirmar que não é todo embate no relacionamento que precisa culminar em uma DR? O excesso de DR pode desgastar uma relação? Por quê?


Estela: Sim, nem todo embate precisa culminar numa DR. O excesso desse recurso desgasta o relacionamento, e “picuinhas” acabam por pulverizar a relação.
Socialmente, somos moldados para apontar os erros. Atitudes corretas são esperadas e não necessitam de reforços positivos. Isto é um engano! E um maior engano ainda tratando-se de relacionamento amoroso.
Para a convivência ser boa, agradável e querida, é necessário ter um mínimo de tolerância com o seu par, não querer ter a “razão” em toda e qualquer questão ou circunstância e, principalmente, ter o entendimento de que ser empático com o seu companheiro(a) é essencial para a vida saudável a dois. Em outras palavras, exercitar a empatia é a capacidade de se colocar no lugar do outro em situações com as quais talvez você não concorde e, com genuína boa vontade, procurar compreender o ponto de vista daquele(a) com quem se relaciona. Então, reflita: afinal de contas, você quer ter “razão” em tudo ou deseja ser feliz no relacionamento? Talvez você precise ceder e cooperar para encontrar soluções parcialmente vantajosas para ambos, e não apenas para uma das partes. É quando os interesses do casal se sobrepõem aos anseios individuais. Ao ser capaz de desenvolver a empatia, as necessidades de DRs diminuem substancialmente e os acordos se tornam mais fáceis.

É possível lidar com alguns embates do dia a dia apenas agindo, sem precisar sentar e conversar por um longo tempo? De quais tipos de embates estamos falando?  


Estela: é possível lidar com os conflitos do dia a dia sem precisar sentar e conversar minuciosamente a cada evento "fora da curva" que ocorra no relacionamento, utilizando-se, por exemplo, de bom humor. Nem tudo deve ser levado "a ferro e a fogo". Tenha bom humor, relativize as situações, não leve tão a sério as "pequenas causas". Lembre-se: você também não é um ser perfeito, e ter alguém que te aponte nas minúcias os seus defeitos é muito desagradável. Aceite que o outro tenha opiniões diferentes das suas, afinal ele(a) realmente é outra pessoa e não se esqueça disso. Por outro lado, há questões que devam ser resolvidas com mais praticidade. Eu brinco dizendo que há ideias que ficam flutuando na cabeça, alimentando o "mundo do achômetro". Tragamos para as ideias dados reais.

Por exemplo: existem rotinas domésticas que são motivos, por vezes, de briga entre um casal, principalmente quando uma das partes está sobrecarregada. Solução simples: faça uma planilha com as atribuições do que cada um pode fazer, quando e a que horas. Talvez nas primeiras semanas esse acordo precise ser refeito, readequado, redistribuído. Refaça os ajustes necessários. Recorde-se: acordos devem ser atualizados sempre que necessários. Feito um acordo, coloque-o num lugar visível. Na geladeira ou dentro da porta do armário, por exemplo. Frases como: "Mas eu pensei que você faria", "eu esperava que", "ah, nem lembrei", "eu achei que era tarefa sua", "não, isso não ficou claro", perdem a força diante de algo que fora combinado previamente. Mal-entendidos tendem a diminuir. Mas você pode me perguntar: e se alguém não cumprir o acordo? E se houver sabotagem? Bem, aí é hora de uma boa DR.

E como avaliar se aquela situação vale uma DR? Pode dar exemplo de algumas situações na vida de um casal que necessitam que você sente e converse sério com o parceiro?


Estela: conversar é essencial, mas dê o devido tamanho a situações diferentes. É absolutamente normal, na rotina do relacionamento, o surgimento de problemas e chateações que ocorrem no dia a dia. Transformar isso num probleminha ou num problemão dependerá da atitude tomada e da importância dada pelo casal. Por exemplo: sobrecarregar em atribuições de tarefas e financeiramente uma das partes pode ser um problema. Assim como brigar por causa de uma toalha no chão, a luz acesa ou o lixo não retirado. Mas será que o peso e a importância são os mesmos? É preciso ter cuidado e saber distinguir entre situações que possam realmente ser problemáticas e situações de fácil resolução. Mas, muitas vezes, o casal não consegue mais fazer esta distinção porque a relação chegou num nível de desgaste significativo. Na hora da DR sobram farpas, acusações e irritabilidade. As partes podem sentir-se injustiçadas, invisíveis e incompreendidas. É o momento de procurar ajuda de um profissional, que os auxiliará na condução da reabertura do diálogo e será um intermediário fiel à causa do casal.

E quando um comportamento seu é a razão de uma frustração do outro? Como é que você percebe isso e modifica o comportamento antes que seja necessário sentar e iniciar uma discussão?


Estela: bem, se o indivíduo percebe que o seu comportamento é a razão da frustração do outro, já é um primeiro passo, mas apenas um passo. Porque o mais importante é saber se a frustração que o outro sente é de sua responsabilidade ou se é uma projeção das expectativas da outra parte.

Exemplo prático:
A pessoa é extrovertida, tem muitos amigos, é o famoso “arroz de festa”. Sua simpatia lhe rende vários convites e interações sociais. Bem, a pessoa com quem está se relacionando o conheceu assim. Talvez este até seja o motivo que a levou a se encantar por ele. Mas, na realidade, esta pessoa é mais reservada, tímida e começou a se sentir incomodada com a rotina “festeira” da relação. Mas não reclamou, afinal ela não era excluída da agenda social do seu namorado. Então, um belo dia, tomou coragem e disse: “Não estou feliz com a relação e com o seu comportamento”.

Pergunto-lhe: quem é o “responsável” por essa frustração? Quem não está vendo quem? Comportamentos novos podem ser modelados, projeções e expectativas irrealistas podem ser retiradas, mas é muito difícil realizá-las sem estar atento à relação, ao outro, sem um bom diálogo e uma boa autoanálise.

Mas, independentemente de quaisquer condutas, há gestos que são verdadeiros antídotos contra as frustrações. Expressões como: “Obrigado(a), querido(a), você é especial porque...”, “fico feliz quando você...”, “você é capaz”, “pode contar comigo”, “você está quieto hoje, o que aconteceu?”, são atitudes mágicas para o relacionamento. Dê um afago, um sorriso, um simples abraço, deem as mãos ao caminharem ou um “cheirinho”. Cuidado com o uso da linguagem. As palavras ferem e marcam profundamente. Seja educado(a) com quem você ama, respeite os acordos e os horários combinados. São pequenos gestos que aproximam o casal. Olhe e ouça. Nada é mais irritante do que conversar com o outro que, por sua vez, está teclando no celular ou computador. Nem que seja por dois minutos, pare e dê atenção. Mostre que você está conectado com ele(a). Temos a escolha, em qualquer interação, de nos conectarmos com o(a) nosso(a) parceiro(a) ou não. A constância da segunda opção pode, ao longo do tempo, corroer lentamente o relacionamento, mesmo sem haver um conflito claro. E as DRs por motivos, ainda que insignificantes, começam a acontecer.

Mais do que compreender esses comportamentos, o verdadeiro passo para a mudança está em agir. Se você sente que o seu relacionamento precisa restabelecer a conexão, o diálogo seguro e a harmonia, estou pronta para acolher e guiar vocês nesse processo de cura terapêutica. Vamos conversar e esclarecer todas as suas dúvidas?


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Eu sou mestre e psicóloga clínica com mais de 20 anos de experiência dedicada à saúde mental e ao bem-estar emocional.
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