O Crepúsculo na Alta Administração
O Crepúsculo na Alta Administração: Não Aprendi a Dizer Adeus
Há um momento silencioso e profundamente solitário na jornada de um(a) Big Boss, de um diretor sênior ou do patriarca e da matriarca de uma grande empresa familiar: o instante em que se percebe que o ciclo chegou ao fim. Olhar para a mesa de reuniões e notar que o ritmo do mercado exige outro fôlego, ou que a preservação do legado construído depende da passagem de comando para a geração que se aproxima, é um dos diagnósticos mais difíceis de se aceitar. Compreender que o seu tempo naquela cadeira passou não é uma falência técnica, mas uma constatação biológica e cronológica implacável. No entanto, para quem foi moldado para o combate, aceitar o recolhimento é uma tarefa que dilacera as fronteiras da identidade.
Na minha prática clínica na Avenida Paulista, acompanho homens e mulheres que enfrentam essa iminente morte simbólica da Persona corporativa. Despir-se do crachá de presidente ou diretor (a), e abrir mão do poder de alta administração significa, para muitos, encarar um vazio existencial ensurdecedor no dia seguinte. O telefone que para de tocar, a corte de assessores que desaparece e a súbita ausência de decisões de alto impacto deixam exposta a alma nua de quem esqueceu como existir fora do papel de comandante. Na poltrona do consultório, longe dos holofotes organizacionais, o dilema deixa de ser financeiro e passa a ser puramente espiritual: redescobrir quem é você quando a sua voz já não determina os rumos do mercado. É o momento de aprender a chorar, acolher as próprias vulnerabilidades e, com estrito amparo ético, construir um adeus que não apague o brilho da história percorrida, mas que abra espaço para uma individuação legítima e pacífica.
A Reconstituição do Sujeito: O Resgate do Sentido Além do Cargo
A grande maioria das lideranças não está preparada para o silêncio que se segue ao fim do mandato. No entanto, sob a perspectiva da psicologia analítica, o Processo de Individuação oferece os meios necessários para que o(a) sujeito resgate e ressignifique a sua própria história, transformando o encerramento de um ciclo na descoberta de novas e profundas realizações pessoais que ficaram guardadas ou sacrificadas no passado.
O aprendizado e a preciosa carga de experiências acumulados na vida corporativa de alto escalão podem ser devolvidos à sociedade de forma muito mais leve, sem o compromisso implacável por metas ou cobranças asfixiantes. Trata-se de suavizar a vida, resgatar os prazeres genuínos de viver e reconstruir o cotidiano sob uma ótica mais pacífica, humana e integrada:
- O Retorno à Academia e ao Ensino: Levar a vivência prática das salas de conselho de volta para a universidade, compartilhando a bagagem de mercado com as novas gerações por meio da docência, da mentoria ou da pesquisa acadêmica.
- A Presença e o Resgate dos Afetos: Dedicar-se ao convívio íntimo da família e dos projetos pessoais que muitas vezes foram preteridos em prol da alta performance corporativa.
- A Transição para a Governança e Conselho: O afastamento executivo de linha não significa obsolescência. Essa pessoa, sempre valiosa, pode assumir uma nova realidade dentro das estruturas organizacionais: deixando o campo operacional para atuar exclusivamente como Conselheiro(a) de Administração, direcionando os executivos com sabedoria, mas sem o fardo direto dos resultados diários.
A prática terapêutica voltada a essa delicada transição cumpre integralmente os critérios éticos da Resolução CFP nº 01/2009 e o Artigo 9º do Código de Ética Profissional, assegurando total sigilo na Avenida Paulista e criptografia de ponta a ponta no ambiente remoto. Um suporte clínico estruturado para que você possa redescobrir o seu valor no mundo, despido de armaduras ou crachás, restabelecendo o sentido de relevância social com integridade e paz de espírito.
O Crepúsculo: Não Aprendi a Dizer Adeus
Nietzsche colocou a humanidade em uma situação de profundo questionamento existencial em sua magistral obra "O Crepúsculo dos Ídolos (1)". Ele colocou todos nós e os nossos valores em um instante escatológico. No entanto, como o bom homem que ele deve ter sido, devolveu-nos aos braços de Dioniso quando decretou o fim da então filosofia e teologia cristã e "desamarrou" as nossas consciências.
O mundo não acabou por isso. Renovou-se. A humanidade entendeu a gênese de um novo recomeço. Assim como pode estar acontecendo com você.
E aqui estou para ajudá-lo a se transformar em um humano ainda maior, sem as exageradas cobranças mercadológicas.
E aqui estou para ajudá-lo a se transformar em um humano ainda maior, sem as exageradas cobranças mercadológicas.
Sobre não aprender a dizer adeus, não se preocupe. Esse é um direito que só os poetas têm.
"Não aprendi a dizer adeus.
Não sei se vou me acostumar.
Olhando assim nos olhos seus,
Sei que vai ficar nos meus,
A marca desse olhar" (2)
Não sei se vou me acostumar.
Olhando assim nos olhos seus,
Sei que vai ficar nos meus,
A marca desse olhar" (2)
(1) O Crepúsculo dos Ídolos - Camelot Editora - 1 a. Edicão 2023. (Amazon.com.br).
(2) Não aprendi dizer adeus - Poeta e compositor Joel Marques.
O próximo capítulo da sua história começa agora.
Permita-se clarear o amanhã. Eu convido você a iniciar a sua jornada comigo.
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