Constelação Familiar Sistêmica de Bert Hellinger
Constelação Familiar Sistêmica
Anton "Suitbert" Hellinger, ou Bert Hellinger, foi um psicoterapeuta alemão e inventor da dinâmica conhecida como constelação familiar.
Há mais de 30 anos, o filósofo, teólogo e psicólogo B.Hellinger foi o responsável por criar e sintetizar o método sistêmico e fenomenológico reconhecido como “Constelação Familiar Sistêmica”. Não por acaso, o nome da abordagem nos remete a família porque ela é a matriz básica desse campo de informações. Ele observou em seus estudos que existem 3 leis (ordens) universais que regem as dinâmicas familiares: A lei do pertencimento (vínculo), a lei da hierarquia, a lei do dar e do receber (equilíbrio).
Não somos uma “tábula rasa”. Ao nascermos carregamos informações de predisposições genéticas, tanto biológicas, quanto psicológicas. Esta última, denominada pela psicologia analítica, como tipos psicológicos que são desenvolvidos e aprimorados ao longo da vida. Estas predisposições, por sua vez, sofrem influências do meio. Questões socioeconômicas culturais e principalmente, familiares, “moldam” o indivíduo. É na família, ou na falta dela, que formatamos a visão de mundo com suas possibilidades e limitações, e ainda, com seus valores e crenças. São as experiências que nos capacitam, nos estimulam e nos trazem alegrias, ou nos restringe e nos freia levando-nos ao sofrimento e ao padecimento. O dinamismo é igual para todos.
São as experiências que nos capacitam, nos estimulam e nos trazem alegrias, ou nos restringe e nos freia levando-nos ao sofrimento e ao padecimento. O dinamismo é igual para todos. O que nos diferencia são a particularidade e a história de cada indivíduo. Isso quer dizer que, necessitamos nos reconhecer ou a rejeição à esta condição nos levará, tão somente, ao sofrimento.
A Constelação Familiar é mais um instrumento que nos pode auxiliar neste reconhecimento. Olhar, reconhecer e aceitar a nossa matriz familiar é de suma importância na construção ou na reconstrução do processo de individuação e no reequilíbrio do sistema.
Cada paradigma sistêmico familiar vem com sua própria sabedoria. Que é único, atemporal, multidimensional e transgeracional. Pertencemos a uma longa linhagem ancestral e como indivíduos somos, tão somente, um fio dessa imensa malha familiar. Um fio que pode estar emaranhado no sistema familiar composto pelas histórias de nossos avós, por algum familiar que não conhecemos desta ou de outra geração, vivos ou não.
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Leia o posicionamento oficial do Conselho Federal de Psicologia sobre o uso da constelação familiar como prática da Psicologia
A Nota Técnica CFP nº 1/2023 foi elaborada a partir de revisão bibliográfica e de entrevistas com associação e com profissionais da Psicologia e de outras áreas que adotam a técnica da Constelação Familiar Sistêmica.
A partir da análise dos fundamentos teóricos da prática, o CFP destaca incongruências éticas e de conduta profissional no uso da Constelação Familiar enquanto método ou técnica da Psicologia.
Entre as incompatibilidades está o reconhecimento, enquanto fundamento teórico da Constelação Familiar, do uso da violência como mecanismo para restabelecimento de hierarquia violada – inclusive atribuindo a meninas e mulheres a responsabilidade pela violência sofrida.
A nota técnica também destaca que a sessão de Constelação Familiar pode suscitar a abrupta emergência de estados de sofrimento ou desorganização psíquica, e que o método não abarca conhecimento técnico suficiente para o manejo desses estados – o que conflita com a previsão do Código de Ética Profissional do Psicólogo.
O documento pontua que a técnica das Constelações Familiares é realizada muitas vezes com a transmissão aberta das sessões grupais e individuais, até mesmo on-line – conduta incompatível com o sigilo profissional, conforme dispõe o Código de Ética da Psicologia.
As bases teóricas da Constelação Familiar também consagram uma leitura acerca do lugar da infância e da juventude fortemente marcada por um viés afeito à naturalização da ausência de direitos e de assujeitamento frente aos genitores, desrespeitando normativas dos Sistema Conselhos de Psicologia e o próprio Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
A prática da Constelação Familiar viola ainda as diretrizes normativas sobre gênero e sexualidade consolidadas pelo Conselho Federal de Psicologia. Isso porque reproduz conceitos patologizantes das identidades de gênero, das orientações sexuais, das masculinidades e feminilidades que fogem ao padrão hegemônico imposto para as relações familiares e sociais – entre outras graves violações.