Síndrome do Pânico
Tratamento do Transtorno do Pânico: consequências econômicas, sociais e familiares
Economicamente, quando se considera o transtorno do pânico, quase sempre o há desperdício de dinheiro e tempo com consultas a vários médicos especialistas. Os quais, por sua vez, solicitam dos indivíduos, vários exames de ‘rotina’ e até mesmo exames sofisticados, onerosos e desnecessários à procura de algo que explique os sintomas do paciente.
Quando os sintomas físicos do transtorno do pânico aparecem — como palpitações, falta de ar e tremores —, a primeira reação natural é buscar o pronto-socorro.
O problema é que essa busca costuma se transformar em uma peregrinação exaustiva por várias especialidades médicas. São solicitados inúmeros exames de rotina e procedimentos sofisticados, onerosos e clinicamente desnecessários, apenas à procura de uma explicação orgânica.
Esse ciclo gera um enorme desperdício de tempo e dinheiro, além de aumentar a ansiedade do paciente, que sente que "ninguém descobre o que ele tem". O alívio real só começa quando olhamos para a verdadeira raiz do problema: o sofrimento emocional.
Diagnóstico e controle do Transtorno do Pânico
O diagnóstico precoce e o tratamento adequado para evitar as complicações (as fobias), no TP é a solução mais indicada.
Os sintomas são relativamente fáceis de serem detectados. No entanto, o que se verifica é que a pessoa procure ajuda depois de meses, anos ou décadas de TP. O tempo de sofrimento deste transtorno psíquico não é obstáculo para o tratamento.
A psicoterapia é fundamental no tratamento de TP, porém não é suficiente. Há necessidade de se bloquear as crises por meio de medicamentos. O bloqueio das crises de pânico é condição necessária, embora insuficiente para que fobias desapareçam. Torna-se necessário que o paciente, uma vez protegido pela medicação, comece a enfrentar suas situações fóbicas. Essa é a única forma de se livrar-se delas.
São três as fases a serem superadas
1) Controle das crises, com supervisão psicológica e medicamentosa;
2) Resolução das fobias, com a realização da psicoterapia;
3) Resolução de conflitos, com suporte psicológico e gradual afastamento medicamentoso.
O controle das crises como foi dito anteriormente, se dá através do bloqueio medicamentoso. Durante o processo inicial de tratamento, o paciente pode ainda ter crises. O que não significa que ele não vai melhorar com a medicação.
A crise, por pior que seja, atinge o seu pico em cinco ou dez minutos. A partir desse momento, ela começa a declinar gradativamente. Em geral, de vinte a trinta minutos se extingue. Para o indivíduo, restam as consequências dessa dinâmica sinistra: o cansaço, o desgaste e sobretudo o medo de que ela se repita.
A resolução das fobias, incluindo a agorafobia, necessitará de acompanhamento psicoterápico para complementar o tratamento medicamentoso, nesta fase.
Como o indivíduo na maioria das vezes está incluído em um sistema de relacionamento familiar, a família não consegue dar o “primeiro passo’ rumo ao controle desse mal. Em especial, quando os conflitos pessoais, conjugais e familiares estão agravados. A pessoa com TP, apesar de saber que as crises estão totalmente bloqueadas pela medicação, ainda tem medo de enfrentar muitas situações. Por isso é que o apoio psicológico se faz necessário.
A experiência recente de passar mal ainda está presente na memória daqueles (as) que sofrem desse mal. O sujeito precisará de encorajamento para enfrentá-las. As experiências negativas anteriores (crise de pânico), fazem com que eles (elas) continuem com a perspectiva de passar mal e assim se mantém a ansiedade de antecipação. É necessário, estimular e reassegurar de que dessa vez será diferente, ou seja, o sujeito não terá pânico. À medida que ele (ela), experimentar uma nova situação, gradativamente controlará as crises (condição indispensável).
A partir do evento positivo, estabelecerá um novo relacionamento com cada situação e após algumas poucas experiências positivas ele (ela), “esquecerá” que essa ou aquela situação lhe causava pavor. Ao vencer um dos medos (por menor que seja), a autoconfiança vai se restabelecer. Assim progressivamente todas as fobias tenderão a desaparecer.
O ritmo de enfrentamento das situações depende da gravidade das fobias e de características pessoais. Tão logo as crises sejam controladas, os sujeitos acometidos pela síndrome já se propõem a enfrentar os medos mais intensos.
Mesmo com as crises de pânico controladas e as fobias superadas, o tratamento medicamentoso deve ser mantido por um período mínimo de seis a doze meses e sua retirada deve ser sempre gradativa, diminuindo desta forma, a possibilidade de retomo dos sintomas.
No entanto, a doença não tem 100% de cura em todos os casos. É provável que, depois de semanas, meses ou anos (menos frequentemente), o indivíduo volte a ter alguns dos sintomas de pânico. Se isso ocorrer, deve-se retomar o tratamento.
Viver refém do medo não precisa ser o seu destino. O controle das crises é possível, e o retorno à leveza e ao convívio familiar está ao seu alcance.
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